Nós, mulheres da Abya Yala, do Kurdistão e do mundo, erguemos nossas vozes contra a invasão e nos unimos para a construção de uma paz entre os povos e de uma democracia verdadeiramente popular. Não respaldamos nenhum projeto que busque aumentar os cofres do capitalismo imperialista patriarcal.
Na madrugada do dia 3 de janeiro, enquanto o povo venezuelano dormia, foi abruptamente despertado e atordoado pelo barulho das bombas. Hoje, os povos do mundo despertamos com uma notícia terrível. Mais uma vez, a soberania da nossa América foi violentada, e seus povos empurrados para a guerra. O império estadunidense lançou, ao amanhecer, um ataque criminoso, bombardeando lugares estratégicos do poder político e militar venezuelano, o que levou ao sequestro de Nicolás Maduro e Cilia Flores
A política da morte imposta em nossos territórios não é nova, trata-se de uma lógica colonialista que, ao longo do século XX, assumiu a forma do imperialismo ianque sobre nossos territórios, com a implementação de políticas neoliberais e doutrinas de guerra que os povos enfrentamos com revoluções e digna raiva. Essa lógica vê a mãe terra como bem de consumo e os nossos povos como objetos sem direito a viver dignamente. Há décadas, os EUA buscam se apropriar de bens comuns como o petróleo e, agora, querem controlar o mercado emergente de terras raras, para seguir alimentando a avareza do capital e de quem o administra e, assim, consolidar sua hegemonia política da morte em todo o mundo.
Conhecemos bem as alianças genocidas entre as grandes potências econômicas. Por mais de dois anos, temos testemunhado, em tempo real, um massacre sobre a Palestina e o Oriente Médio. A rota do capital extrativista avança com cruzadas armamentistas. Abya Yala é também um território geopoliticamente estratégico, e são esses os interesses que hoje se concretizam na invasão dos EUA. Estamos vivendo uma disputa pela hegemonia mundial em que as grandes potências, em aliança com os poderes estatais, regionais e locais, tentam aumentar seu poder à custa do saque, do espólio e da dominação dos povos.
Nós, que integramos a Rede de Mulheres Tecendo o Futuro, erguemos nossas vozes contra a intervenção estadunidense sobre os territórios e povos da Abya Yala. Nos opomos a todas as ações que pretendem controlar nossa vida, nossa autonomia e nossa soberania como povos. Hoje se revive a história de luta que nos uniu e, agora como sempre, nos organizamos pela defesa da vida e da soberania popular.
Nos solidarizamos com o povo venezuelano e alertamos que esta ofensiva por parte dos EUA não se dirige apenas contra a Venezuela nem contra seus dirigentes, tampouco se trata de uma “luta contra o narcotráfico”. É um ataque frontal contra a autodeterminação de todos os povos do continente. Hoje é a Venezuela, mas também é o restante da Abya Yala e do mundo.
Por isso não faremos silêncio nem permaneceremos imóveis diante de um projeto de “paz e democracia” cimentado na aniquilação de nossos povos e na espoliação de nossos territórios. Nossas lutas são comuns e nossa resistência não reconhece fronteiras.
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