
Compartilhar pensamentos, cosmovisões e experiências práticas em torno da defesa do corpo e do território a partir das perspectivas cultural, espiritual, física e emocional, como resistência diante da agressão colonialista, racista, capitalista e patriarcal.
A comunicação é vida. É nossa ponte, nosso tecido, nossa rede que sustenta e se expande para nossos corpos/territórios. Devemos ocupar o poder da comunicação, compartilhando o acesso e a participação para construir narrativas, linguagens e formas antipatriarcais e anticapitalistas e, assim, tecer uma memória livre para a humanidade.
Esta oficina é uma porta de entrada para refletir sobre a comunicação a partir das mulheres, para os povos e para a vida. Nossa aposta é descolonizar e despatriarcalizar a comunicação, entendendo-a como uma ferramenta de libertação. É um chamado à ação, uma comunicação por e para as mulheres, que não se limita aos meios digitais, mas expande seu alcance a diversos formatos: físicos, analógicos, têxteis, gráficos, audiovisuais e radiofônicos. Mulheres livres, autônomas e rebeldes convidam vocês para um espaço de encontro e criação coletiva que parte da urgência de nos olharmos, nos reconhecermos e nos narrarmos a partir de nós mesmas.
Propomos construir uma economia em que seja possível estar bem consigo mesma e com o entorno, reconhecendo que as formas de sustentar a vida são construídas coletivamente, em comunidade, a partir do cotidiano e do concreto. Promovemos práticas comunais por meio de cooperativas de mulheres, uma ética coletiva da economia para a vida. A oficina explora como as mulheres sabem coletivizar a atividade econômica, criando redes de circulação horizontais que rompem com os monopólios de mercado. Convidamos para a oficina “Mulheres Criando Economia Comunal para a Vida” para compartilhar nossas experiências; propomos que não seja apenas um espaço de exposição, mas que nos permita nos organizar juntas no caminho rumo à confederação mundial das mulheres.
Um dos pilares da resistência contra o patriarcado, o capitalismo, o racismo e o colonialismo é reconhecer que existem múltiplos métodos e formas de conhecimento, e que seu ocultamento ou mercantilização é um instrumento de guerra. Durante muito tempo, os saberes não hegemônicos foram negados, invisibilizados ou inferiorizados em distintos territórios. Na Abya Yala, os saberes ancestrais foram entendidos como inexistentes ou inferiores com o desenvolvimento do colonialismo, que não utilizou apenas a força, mas também a manipulação e a interiorização de imposições externas. Algo semelhante ocorreu com o povo kurdo, especialmente com o conhecimento proveniente das mulheres. Dessa experiência nasce a Jineolojî, como um esforço para recuperar e reconstruir um saber próprio e libertador. Como podem dialogar a Jineolojî e os saberes da Abya Yala? Como podemos, neste tecido de mulheres que é a rede, identificar, fortalecer e desenvolver esses saberes e impedir que continuem sendo diminuídos, folclorizados, mercantilizados ou utilizados para fins políticos alheios?
O que se entende por “saúde” a partir de um sistema de morte, patriarcal e colonialista? O que entendemos por “saúde” a partir das múltiplas cosmovisões e/ou dos processos coletivos e territoriais que colocam a vida como centro?
Convocamos este espaço para nos encontrarmos e nos escutarmos, a partir de suas realidades, trajetórias e territórios. Assim, esperamos construir um espaço onde dialoguem perspectivas, experiências, estratégias, ensinamentos e dificuldades de nossas organizações ou comunidades em torno da saúde. Esse diálogo será terra fértil para que surjam tecidos e caminhos coletivos que fortaleçam processos territoriais de transformação, autonomia, existência e resistência dignas, para seguir colocando a vida, a defesa, o cuidado e a cura coletiva dos corpos e territórios no centro.
Quanto mais nos aproximamos de nossas culturas, mais podemos nos reencontrar com nosso próprio ser e recuperar os territórios para a vida a partir da autonomia e da diversidade. As artes propõem re-existir nxs corpxs-territórios como uma forma de proteger nossas culturas e, portanto, é importante discutir, como povos e comunidades, nossas estéticas e formas de sentipensar. Da mesma forma, possibilitam tornar comuns as dores, indignações, raivas e demais emoções, para resistir e nos libertar por meio da organização e da luta.
Nesta oficina nos perguntaremos: como as artes e as culturas se conectam na busca do próprio ser? Qual é a relação entre cultura, arte, vida, mulheres e diversidades? De que maneira podemos defender nossa cultura como base de nossa existência? De que forma podemos reinventar o mundo e recriar nosso futuro como povos, assim como desmontar o sistema de dominação, por meio da arte e da cultura? Sob quais princípios estéticos, políticos e éticos vamos continuar fazendo arte?
Esta oficina convida a nos encontrarmos entre a experiência do Confederalismo Democrático e as memórias de resistência e organização da Abya Yala, para dialogar sobre como construir o futuro com a força coletiva das mulheres.
Tecermos coletivamente saberes a partir de nossas diversidades em um espaço de cuidado, reflexões críticas e ferramentas para desmontar cadeias de doutrinamentos e autoritarismos, tornando possível a liberdade criativa que possa resultar nos “inéditos possíveis” que fundamentem uma educação para a emancipação comum desde baixo.
Abya Yala e o Kurdistão são duas geografias nas quais o colonialismo, o capitalismo e os ataques do Estado contra os povos originários se fazem sentir na vida cotidiana. Quando o colonialismo e seus colaboradores invadiram nossas terras, proibiram nossa língua, nossa cultura e nossas crenças, roubaram nossas terras e todos os nossos valores, saquearam nossas terras e nossas águas, apropriaram-se delas e depois nos venderam.
Ao longo da história, nessas duas regiões geográficas, fisicamente distantes entre si, mas semelhantes quanto às resistências e aos ataques, produziram-se resistências ininterruptas e sem precedentes contra todas as formas de opressão que pretendiam aniquilar a vida. O sofrimento vivido, os preços pagos e a tradição de resistência transmitida de geração em geração seguem vivos. Por isso, nossa língua, nossa cultura, nossas crenças e nossa comunalidade foram preservadas até hoje diante das tentativas de destruição e de manipulação de sua essência e de seu espírito.
No Kurdistão, a vida se constrói por meio da autogestão e da autodefesa, e o “Confederalismo Democrático” ressurge como um modelo de raízes ancestrais que torna isso possível, oferece soluções para os problemas de diferentes regiões do mundo e revive o modo de vida que cada comunidade possuía antes dos ataques do Estado, do capitalismo e do patriarcado. Assim, abre um caminho alternativo às formas de existência baseadas no conflito, na opressão e na destruição. Faz com que o sangue flua pelas veias de resistência que se escondem no coração da sociedade. Em todos os âmbitos da vida (saúde, educação, economia, cultura, política etc.), devolve de forma sutil e construtiva às mulheres e às comunidades aquilo que lhes foi roubado.
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